Estava folheando as páginas da revista veja dessa semana quando vi uma matéria bastante interessante. Uma nova classe de anti-hipertensivos está sendo desenvolvida após 10 anos de pesquisa e sem novos mecanismos de ação para fármacos anti-hipertensivos.
Pensei: tivemos uma aula a respeito de anti-hipertensivos recentemente. Além disso, estudamos sempre as diferentes classes de medicamentos pertencentes a uma linha terapêutica. Pois desenvolveram-se os Inibidores Diretos da Renina (IR).
Para relembrar alguns conceitos do Sistema Renina-Angiotensina (SRA), apresento o quadro abaixo:

Resumidamente, podemos apontar que:
A renina é uma enzima secretada pelas células renais próximas ao glomérulo de Malphigi (justaglomerulares) e que fragmenta o polipeptídeo angiotensinogênio (produzido no fígado) destacando um de 10 aminoácidos, a angiotensina I.
Da angiotensina I, a enzima conversora de angiotensina (ECA / ACE) retira dois aminoácidos. Os 8 restantes representam a angiotensina II, um polipeptídeo ativo em receptores AT1, cujas ações são:
-
vasoconstrição generalizada (especialmente nas arteríolas eferentes do rim, pós-filtração).
-
liberação de NOR nas terminações simpáticas (aumento de frequência e força de contração do coração).
-
aumento da reabsorção de Na (Túbulo Contorcido Proximal).
-
secreção de aldosterona (córtex da glândula supra-renal).
-
crescimento celular no coração e nas artérias.
-
diminuição na produção de renina (feedback negativo).
Departamentos de P&D (pesquisa e desenvolvimento) de grandes indústrias farmacêuticas estão envolvidas com os inibidores da renina. A Merk em conjunto da Actelion e a Pizer já possuem fármacos em desenvolvimento, mas nesse post farei referência apenas ao aliskiren (aliskiren hemifumarate), fármaco da Novartis com medicamentos já aprovados no FDA (Tekturna® e Tekturna HCT® - associado à hidroclorotiazida) e diversos outros países (Rasilez®).

O novo aliskiren atua inibindo diretamente a ação da renina, impedindo que esta faça a conversão do angiotensinogênio em angiotensina I e que toda a cascata até a formação de angiotensina III, IV e 1-7 seja completa. Isso confere à essa nova geração vantagens sobre outros anti-hipertensivos, principalmente os inibidores da ECA (IECAs) e os bloqueadores de receptores AT1 (BRAs).
Vantagens conferidas pelos IR:
-
Os IECAs aumentam os níveis de Angiotensina I (atividade plasmática da renina), que pode ser convertida em Angiotensina II por vias independentes da ECA, suplantando parcialmente o bloqueio dos IECA (inibidores competitivos).
-
Os IR bloqueiam o SRA de maneira mais completa, dado que a Renina é a moduladora da velocidade da cascata. Isso diminui a probabilidade de efeitos colaterais pelo acúmulo de angiotensina I ou angiotensina II.
-
Os IR não aumentam a síntese da bradicinina (receptores B2), evitando tosse e edema angioneurótico como os causados pelos IECAs.
A dose usual inicial é de um comprimido de 150 mg ao dia, podendo em casos mais graves ser elevado aos 300 mg diários ou ainda associado a outros agentes anti-hipertensivos.
O aliskiren confere controle da pressão arterial durante todas as 24 horas da dose diária, o que é muito importante pelas características flutuantes da hipertensão e pelas crises surgirem freqüentemente nas primeiras horas da manhã.
Molécula do aliskiren

LINK PARA MATERIAL UTILIZADO NA PESQUISA
Fontes:
-
Rang & Dale Farmacologia 6ª edição.
-
Novartis media release, Basel, 17 de Maio de 2006.
-
Novartis consumer information for Rasilez®.
-
Inibidores de renina, uma nova classe hipertensivos. Artur Beltrame Ribeiro*, Revista brasileira de hipertensão vol 13(3):219-220, 2006.
-
Bloqueadores diretos da renina, uma nova arma para combater velhos inimigos. Artur Beltrame Ribeiro*, revista da sociedade brasileira de hipertensão, vol. 10, nº 2, 44-45, 2007.
*Professor Titular da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP/EPM. Diretor da Fundação Oswaldo Ramos, Hospital do Rim e Hipertensão.